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A pandemia do coronavírus transferiu o local de trabalho de muitos brasileiros para dentro de casa e isso mexeu com o mercado de imóveis.

Antes, quem procurava imóvel para alugar queria ficar perto de comércio, da escola, do trabalho ou de meios de transporte que facilitassem as idas e vindas. A pandemia mudou tudo isso. O trabalho e a escola vieram para dentro de casa. Ninguém precisa sair para fazer compras se não quiser. E a procura agora é por um lugar com mais espaço e conforto, ainda que distante dos grandes centros.

A pandemia trouxe outra mudança. Com a crise econômica, muitos inquilinos procuraram os proprietários para renegociar o valor do aluguel. Em São Paulo, por exemplo, mais da metade pediu renegociação de valores em julho, segundo o Sindicato da Habitação.

"Mais de 90% das renegociações foram amigáveis, sem precisar ir à Justiça. Houve um entendimento da gravidade do momento", diz Basílio Jafet, presidente do Secovi-SP.

Para os analistas, a pandemia provocou o que tem sido chamado de ressignificação” do imóvel. O distanciamento social, a maior convivência familiar e a prática do trabalho a distância são motores dessa tendência, que tem ampliado as funções do imóvel residencial. Muitas pessoas e famílias estão precisando de mais espaço, seja para trabalhar em casa ou para proporcionar melhores condições para a vida em família.


A pandemia também motivou as pessoas a repensarem atitudes e hábitos de vida. A servidora federal Romana Picanço, 63, moradora do Lago Norte, está se mudando para o condomínio em que sua filha mora, em Sobradinho, com uma área bem arborizada.

O gestor de investimentos da Rio Claro Investimentos, Carlos Faria, explica que o setor de construção e venda de imóveis tem uma importância significativa na economia. “Historicamente, por ser um ramo de capital intensivo e de complexidade maior, envolvendo diversas cadeias produtivas, o segmento imobiliário, quando aquecido, aumenta a confiança do empresariado na economia, o que, por sua vez, tende a beneficiar vários outros setores”, diz.

Com o objetivo de estimular o setor, a Caixa Econômica federal anunciou a substituição da pausa no pagamento do financiamento imobiliário — concedido no início da pandemia — pela possibilidade de o comprador pagar apenas 50% da mensalidade por até 3 meses, ou de 50% a 75% por até 6 meses. A medida entrou em vigor nesta semana. De acordo com a instituição, devem ser concedidos mais R$ 14 bilhões em crédito imobiliário com recursos da poupança até o fim do ano.